O Blog de Luis Silva

 

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Mantorras resolve! Daqui a duas jornadas já podemos dizer "HABEMUS CAMPEONATO"

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2004-11-04

 

A serra da estrela precisa de um novo rumo urgentemente

Cada vez mais assistimos no nosso concelho ao encerramento de empresas texteis, deixando no desemprego centenas de pessoas ano após ano, resultando daí problemas sociais aliados a esta situação irreversivel. Tempos houve em que os têxteis marcavam pontos na região, empregavam milhares de pessoas que durante uma vida activa de trabalho ali desempenhavam as suas funções, sem correrem o risco de ficarem desempregadas. A realidade nacional e social era outra, não existiam mercados de livre concorrência, a mão de obra era barata, havia mercados de exportação dos produtos que se alimentavam do que por cá se ia produzindo nesta matéria. Hoje em dia, vivem-se dias de inquietação, ansiedade e até medo, pairando na cabeça de todos nós a pergunta: "até quando esta ou aquela fábrica por cá se aguentará?". A dúvida e a incerteza são dos piores estados de alma que podem existir, influenciando negativamente a pessoa bem como o seu rendimento laboral. Há que efectivamente repensar novas formas de agir, de criar empregos e de atrair investimentos diferentes dos que por cá predominam na região da serra da estrela, ao mesmo tempo que todos devemos estar alerta sobre as áreas que poderão inverter esta tendência negativa. Um olhar aprofundado e conhecedor da região leva-me a fazer esta abordagem sociológica sobre o concelho que me permite afirmar com toda a certeza, que com o aparecimento dos mercados asiáticos e brasileiros a industria têxtil está condenada à sua inexistência mais rápido do que se possa imaginar, devido ao baixo custo da mão de obra desses países em que em proporção, o que pagam a 3 trabalhadores é o equivalente ao que pagam em Portugal a 1, além dos baixos impostos que as empresas nesses países pagam ao Estado. Na nossa região da beira serra (Seia e Oliveira do Hospital) há pelo menos duas empresas que no conjunto empregam cerca de 1100 funcionários, que já estão a criar nos países atrás referidos, pólos empresariais tendo em vista a "fuga" deixando para trás mais de um milhar de trabalhadores no desemprego. Posso não acertar em cheio nos anos que levará a que isso se concretize, mas arrisco nos próximos 2 anos. A região vai sofrer perda de investimento, perda de poder de compra. Os municipios sabem deta realidade e no final da linha cabe-lhes lutarem em nome da região, em nome dos seus cidadãos e em nome do combate à pobreza, pois para isso foram eleitos democraticamente pelo voto do povo. Cabe também aos municipios gerarem e atrairem novos investimentos na região e apoiarem quem realmente quer por cá investir, antes que seja tarde de mais. Há pessoas qualificadas, há técnicos especializados, há empresários, as nossas gentes têm capacidade, logo há que reunir todos estes agentes num núcleo que nos permita saber, "mas afinal em que devenos investir?". Só com o olhar de sociólogos, gestores, políticos, podemos em conjunto atrair investimento. No futuro o concelho de Seia, bem como toda a região da estrela, deverá estar virada para a cultura, para o comércio, para o social e para o turismo. Não tenham dúvidas que já começam a ser, mas serão cada vez mais, os lares de III idade, o turismo rural, as empresas culturais e outros agentes desta natureza que criarão emprego neste cantinho frio à serra da estrela plantado.

# posted by Luis Silva @ 7:11 da tarde


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